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Dia Mundia Do Livro

 Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais



Dia 23 de abril é comemorado o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, data oficializada pela UNESCO em 1995 para promover a leitura, a publicação e a proteção autoral.UNESCO

Para a UNESCO os livros são ferramentas para o conhecimento, para a cultura e para o diálogo, promovendo anualmente ações que estimulam o prazer pela leitura, a criatividade, o acesso igualitário aos livros e valorização da propriedade intelectual.

O objetivo central é celebrar o livro como um reflexo da diversidade cultural, de educação e formação humana.

Essa data foi escolhida para homenagear três escritores:

  • William Shakespeare (1564-1616), autor de Hamlet, Romeu e Julieta,  cada uma explorando as diferenças da condição humana: a vingança e o amor impossível;
  • Miguel de Cervantes (1547-1616), autor de Engenhoso Fidalgo Dom Quixote da Mancha romance que conflita o sonho e a realidade, satirizava os contos de cavalaria e faz crítica sobre a sociedade espanhola da época;
  • Inca Garcilaso de la Vega (1539-1616), autor de Comentários Reales de Los Incas que aborda o choque da cultura dos Incas com a chegada dos espanhóis.

Um poeta e humanista espanhol também referenciado e homenageado nos eventos literários na Espanha é Juan Latino.

Juan Latino (1518-1596)

Foi um menino negro escravizado, tornou-se homem e um dos maiores intelectuais da Espanha no século XVI.

Em sua biografia refere ter nascido na Etiópia mas historiados referem que ele nasceu no norte da África. 

Aos 12 anos ele e sua mãe foram capturados e levados através do tráfico de escravos, pelo mar Mediterrâneo, para na Espanha servir como escravo doméstico para um duque onde acompanhava o filho nas aulas de latim e grego. Ficava do lado de fora da sala ouvindo os tutores e aprendendo. 

Com o tempo conquistou sua liberdade, estudou e se tornou professor, sendo primeiro homem negro a obter um título acadêmico e ter conquistado a Cátedra de Gramática e Língua Latina da Universidade de Granada, cargo que ocupou por quase 40 anos.

Escreveu a Canção de Áustria Carmen em 1573, em latim, por isso o apelido Latino.

A obra se trata da descrição do maior confronto naval com os otomanos pela expansão comercial no mar mediterrâneo. Os espanhóis venceram. Mas a importância da obra é sobre quem escreveu.

Representatividade
Juan Latino era um homem negro, ex-escravo, escrevendo para do Império Espanhol sobre a batalha mais importante da época, e se posicionando como a voz oficial da cultura europeia.
Em uma época que se utilizava o racismo estrutural para justificar a suposta inferioridade intelectual dos africanos, sua trajetória tornou-se um argumento vivo contra o preconceito, provando que a cor da pele não limita o conhecimento.
Ele desafiou as idéias da época sobre raça ao provar que um homem negro podia dominar a língua superior. Então, ele escreve em latim, que era a forma mais difícil de poesia na época. Não era apenas uma língua, era o transporte para a elite intelectual do mundo. 
Ele era tão respeitado que Miguel de Cervantes menciona sua admiração na introdução dos poemas de Dom Quixote de 1605. No poema dedicado a Sancho Pança, ele escreveu: 
"Pues que no eres tan latino como el negro Juan Latino" .
Ele quis dizer que a pessoa podia até falar uma língua derivada do latim (espanhol, português), mas não tinha o domínio erudito e a genialidade que Juan Latino tinha sobre a língua clássica original, superando os brancos acadêmicos da época e se tornando símbolo de excelência acadêmica na Espanha.
Ele havia se tornado referência cultural para os maiores escritores do seu tempo. Se ele tivesse escrito em espanhol, seria apenas um relato popular. Ao escrever em latim perfeito, ele forçou os acadêmicos e a nobreza da época a reconhecê-lo como um igual (ou superior) no domínio da linguagem mais difícil da época.
No trecho mais famoso do seu livro, ele faz algo ousado para a época, usando a sua cor de pele para se comparar a figuras bíblicas e clássicas, afirmando que a inteligência não tem cor: 
"Se a nossa cor preta, Rei, a vossos olhos parece feia, os brancos não são, por isso, mais aptos para a escrita, pois é a mente que brilha, não o rosto que se vê".
O que torna a obra única é a mistura: ele usa o latim (ferramenta dos brancos) para celebrar uma vitória, mas insere sua própria identidade negra no texto. Ele chegou a escrever versos dizendo que, embora fosse negro de pele, sua alma e sua arte eram tão erudita quanto a dos maiores poetas de Roma.
Embora sua obra tenha alcançado um sucesso extraordinário, ele não deixou de sofrer preconceitos sociais e raciais. Ele era visto como uma curiosidade, a sociedade o aceitava como exceção mas nunca deixava de lembrá-lo de sua origem e sua cor. Era a manutenção do racismo estrutural. 
Juan Latino é lembrado anualmente em eventos literários na Espanha, e nesse ano de 2026 terá uma mesa redonda que discutirá sua importância cultural. Há também sua exposição digital na biblioteca da Universidade de Granada.
Esperamos que a história de resistência e resiliência de Juan Latino tenha te inspirado.

Para dúvidas ou sugestões escreva para kiluanji88@gmail.com 
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Até o próximo artigo.
Erika Angelo.


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